Crônica de um dia normal


Ela acorda todos os dias e fica horas fitando o teto (em horas lê-se minutos) - é que o tempo parecia se estender indefinidamente...

Ela levanta, vai ao banheiro, troca de roupa, senta-se a mesa e toma 2 cafezinhos em sua xícara preferida. Enquanto degusta aquele líquido breu, pensa no caminho que vai ter que fazer até o trabalho (aliás, meio atrasada, verifica que já é quase 9 da manhã).

Ela está cansada. Isto somente. Preferia fugir, como sempre. Preferia reclamar sem ter motivos. Preferia nem ter que levantar, às vezes. Mas ela se levanta e segue para o trabalho. Os passos desfilam lentos... ela abre a porta, senta-se na mesa de sempre, liga o computador, como sempre, verifica os emails e começa a pensar no que tem que fazer durante o dia.

Houve uma época em que havia paixão. E ela sentia que dava pra fazer de tudo, e esse tudo ia acabar um dia levando em algum lugar. Ela fazia porque queria, porque devia, era vista, e ser vista se tornava seu futuro. Nem gostava mais de pensar no futuro, agora era coisa do passado.

Trocou algumas palavras com as pessoas de sempre. Hoje ela não estava muito a fim de prosa. Abriu um programa e começou a digitar algumas coisas, mas de repente o torpor começou a tomar-lhe a mente mais uma vez. Não conseguia continuar.  O peso dos mesmos atos a tomava em desânimo. Às vezes ela se culpava. Afinal, aquele buraco foi ela mesma que cavou. Sempre foi péssima em escolhas, de todos os tipos praticamente. Era extremamente competente, exceto em sua própria vida!

Às vezes ela se perguntava se alguém enxergava o seu desespero. Ontem, no meio de uma conversa, uma colega a perguntou porque ela havia sumido. Ela respondeu, sinceramente, que estava em crise. A moça começou a rir e disse que isso não combinava com ela, todos podiam dizer isso menos ela, e refez a pergunta pedindo uma resposta séria. Não, ninguém tinha ideia... e quase todo o tempo sua mente parecia um vulcão, sempre prestes a entrar em erupção!

Olhou para o relógio e viu que já eram quase 6 horas. Juntou suas coisas e foi embora. Em casa, preparou algo para comer, assistiu um filme na televisão e foi se deitar. Pegou um livro, leu dois capítulos, como de costume, até ficar com sono e não mais aguentar. Programou o despertador para as oito horas da manhã, fechou os olhos e adormeceu no meio de uma prece para não mais acordar.

By Sam Silva |

1 comentários:

Claudilene N. disse...

E como se não bastasse as crises, os fatos vem apimentar a situação. "Ela é extremamente competente, menos quando se trata de sua vida pessoal". Eu conheço a moça da história, e devo dizer, que não concordo. Ser burro seria mais fácil, lembra? Muita força querida, afinal de contas, ser feliz consome todo o tempo. Com a certeza das coisas darem certo, eu digo que quero continuar fazendo parte do roteiro! ;)

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Apesar de, se deve morrer.
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Foi o APESAR DE que me deu uma angústia que, insatisfeita, foi a criadora da minha própria vida.

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