Declaração Póstuma
nov
14
Era meio dia de um dia calmo. Abri a porta da frente e cheguei em casa. Me deixei cair no sofá com os olhos pesados. E eu sabia que quando acordasse tudo seria diferente, mas eu não podia deixar de dormir. Eu não conseguia segurar meus olhos. E caí num sono profundo; louca, então, para não mais acordar.
Há horas atrás, observava um carro deixar lentamente a vaga e parte de mim começava a se tornar vaga. Parte de mim debruçava numa janela sempre a esperar... A outra parte se segurava a um cheiro ainda presente, cantarolava palavras para não serem esquecidas e desapegava-se de um quarto de melodia intensa.
De saída fitando uma vaga tão vaga, eu lembrava os dias de procurar um na multidão. Lembrava do gosto de ter sem ter, do jogo de palavras não pronunciadas, do olhar que talvez estivesse em mim, ou talvez fosse só minha impressão.
E agora o que dói é sempre o que fica do que não ficou. E acordar sem ter a parte de mim que já se foi...
1 comentários:
E o bom é saber que o está vago é meu. E o que é meu, preencho com o que quiser. Tudo passa...
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